Monday, July 02, 2007

É NECESSÁRIO UM ESTADO AO SERVIÇO DOS CIDADÃOS (FAZER CHEGAR O MARKETING AO ESTADO)

Por ocasião do jantar de aniversário da APPM, Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing, Luís Barbosa, criador da ideia da organização, seu ideólogo e fundador no ano de 1967 afirmava, “o Estado necessita de se colocar ao serviço dos cidadãos e não os cidadãos ao serviço do Estado”. Na perspectiva deste gestor, tendo as empresas “aprendido” com o mercado a forma de serem bem sucedidas, de responder e se colocar ao serviço dos consumidores, haveria que aplicar essa prática às instituições públicas.
É minha opinião que, porventura as instituições do Estado, não obstante serem periodicamente referendadas pelos cidadãos, pelo facto de não terem concorrência, exercem o seu poder “monopolista” não colocando os seus “clientes” em primeiro lugar, como personagens centrais na determinação das suas politicas, faltando-lhes “a filosofia de marketing”; não são humildes perante o mercado, comportando-se majestaticamente perante os “seus súbditos”.
A afirmação carece naturalmente de justificação, mas será difícil sustentá-la? Certa e infelizmente que não. É só escolher por onde começar. Pela justiça? Pela exclusão social? Pela ....
É escandaloso o que uma empresa ou uma pessoa têm de passar – de sofrer – quando no seu caminho se cruzam as teias da justiça. Aqui não faltam exemplos. Anos e anos à espera de reparações que se justificariam de imediato.
E o fisco? O cidadão perante o fisco é como uma criatura indefesa perante a qual muitas vezes se inverte o ónus da prova. O cidadão paga... os serviços enganam-se... reclamam novamente o pagamento... o cidadão tem de provar que pagou, senão paga outra vez! E, entretanto, vão pagando sempre os mesmos. E o Estado até tem o poder majestático de impedir que os seus serviços paguem àqueles que para eles trabalhem, nem que esporadicamente, de receber os seus salários, caso estes tenham alguma dívida ao Estado. Como é isto possível? E as dívidas do Estado e das Câmaras municipais aos cidadãos? Quem paga? Ah, mas ao cidadão é-lhe exigido que pague de imediato, mesmo que tenha a receber dívidas monstruosas do Estado!
Pois é, o Estado é muito eficiente a cobrar impostos. E se o fosse também em todas as outras áreas?
E, entretanto, se a empresa fizer um fornecimento, mesmo que não receba do cliente, terá de pagar o IVA, isto é financiar o Estado sobre um valor que poderá não ter recebido...
A sinalética das estradas, dos locais, dos edifícios... Só dá para rir, ou para chorar, mas ninguém é responsável. É mesmo necessário um GPS para andar em Portugal!
E a burocracia, que não obstante algumas melhorias, ainda prolifera, pelos serviços, poluindo a celeridade dos processos e das decisões.
Não queremos dizer que “as culpas” são deste governo. Aliás, para o cidadão – e para aqueles que já cá andam há alguns anos e já atravessaram muitos governos, muitas políticas, até diversos regimes – isso é irrelevante. O que interessaria é que as coisas não estivessem como estão. O problema é que se falam hoje das dificuldades que se falavam há 10, 20, 40, 50 anos!
E onde está o guichet de reclamações? Quem se pode assumir como responsável de tudo o que deveria e não foi feito?
Estaremos melhor agora certamente do que há algumas décadas atrás, sim, mas temos de ser exigentes e querer muito mais.
O objectivo não é ser destrutivo nem pessimista. Bem antes pelo contrário. Gostaríamos era de deixar de ver o nosso pais sempre em último lugar ou quase na maioria dos rankings qualitativos... e, como dizia Luís Barbosa, passar a ver o Estado ao serviço dos cidadãos e estes serem muito mais exigentes perante “os seus fornecedores”.

PS – A propósito. As máquinas da EMEL continuam a ficar muitas vezes com o nosso dinheiro. E como reclama o cidadão? Se deixar o carro sem ticket ainda é multado. E como prova o referido?


Julho 2007

No comments: